Imagina uma sala com uma dúzia de pessoas que não se conhecem. Uma delas escolhe, entre as outras, quem vai "fazer" de pai, de mãe, de irmão, de si própria, e coloca cada uma num ponto da sala, sem dizer nada. Depois, essas pessoas começam a descrever o que sentem no lugar onde estão. É uma constelação familiar, e quem assiste pela primeira vez costuma sair com a sensação de ter visto algo difícil de explicar.
Este artigo conta o que são, de onde vêm, como decorre uma sessão por dentro, e o que perguntar antes de marcar.
O que são
As constelações familiares são um método de trabalho em que a família, ou outro sistema de que a pessoa faz parte, é representada no espaço. A ideia de base é que cada pessoa pertence a um sistema familiar, com vínculos que atravessam gerações, e que acontecimentos marcantes do passado da família, como mortes precoces, exclusões, segredos ou guerras, podem continuar a pesar sobre quem vem depois, mesmo sem o saber. Quem pratica chama a isto "emaranhamentos".
Ver o sistema "montado" à frente, com as distâncias, os olhares e as posições, é o que, segundo quem pratica, permite olhar para uma situação de outra forma.
Quem as criou
O método foi desenvolvido no fim do século XX pelo alemão Bert Hellinger, que antes tinha sido padre e missionário na África do Sul, onde contactou com as práticas culturais zulus. Hellinger juntou influências de várias abordagens de terapia familiar e sistémica e criou um formato próprio, que se espalhou pela Europa e pela América Latina.
Hoje há muitas escolas e variações, e é comum ouvir falar também de "constelações sistémicas" ou "constelações organizacionais", aplicadas a equipas e empresas.
Como decorre uma sessão em grupo
A pergunta. Quem vai constelar, a quem se chama cliente, conta em poucas frases o tema que traz. Não é preciso contar a história toda: muitas vezes basta uma frase.
A escolha dos representantes. O cliente escolhe, entre os participantes, pessoas para representar os membros da família relevantes, e por vezes a si próprio ou a um tema, como "o medo" ou "a casa". Coloca cada uma num ponto da sala, de forma intuitiva, sem falar.
O movimento. Os representantes ficam no lugar e, guiados por quem conduz, dizem o que sentem: vontade de se aproximar ou de se afastar, peso, calor, indiferença. Quem conduz faz mudanças nas posições, pode pedir frases simples entre representantes e procura uma imagem em que o sistema pareça mais "em ordem".
O fim. A constelação termina quando se chega a uma imagem de solução, e o cliente muitas vezes entra no seu próprio lugar para o sentir. Não costuma haver longas discussões depois: a ideia é deixar a imagem trabalhar.
Quanto tempo: cada constelação dura entre 30 e 90 minutos, e num workshop de um dia fazem-se várias, de pessoas diferentes.
Ser representante
Nem toda a gente que vai a um grupo constela: muitas pessoas vão como representantes, e é muitas vezes assim que se começa. Ser representante é mais barato, ou até gratuito, e permite perceber o método antes de trazer um tema próprio. Muita gente fica surpreendida com o que sente no lugar de alguém que não conhece.
E a sessão individual?
Também existe, e é cada vez mais comum, inclusivamente online. Em vez de pessoas, usam-se bonecos, figuras ou folhas de papel no chão, e é o próprio cliente que se coloca em cada lugar, com a orientação de quem conduz. É mais íntima e mais fácil de marcar, e muitas vezes dura cerca de 90 minutos.
O que diz a ciência, e os cuidados
A investigação científica não sustenta a ideia de que os representantes captam informação real sobre famílias que não conhecem; os efeitos que as pessoas relatam são explicados pela sugestão, pela empatia e pelo efeito placebo. O método também foi criticado por não cumprir os padrões éticos da psicoterapia, por exemplo no acompanhamento depois da sessão.
Por isso, alguns cuidados:
- É um tema emocionalmente forte. Uma constelação pode mexer com memórias difíceis. Se estás a passar por uma fase frágil, fala com quem te acompanha antes de ir.
- Não é psicoterapia. Não substitui acompanhamento psicológico ou médico.
- Escolhe quem conduz com cuidado: formação, anos de prática, e se faz acompanhamento depois.
- Desconfia de quem diz o que "tens de fazer" na tua família ou na tua vida.
Quanto custa
Na Curas, uma sessão de constelações familiares costuma custar entre 45 € e 70 €, normalmente por 90 minutos. Em grupo, o preço por pessoa é diferente, e ser representante costuma sair mais barato. Comparamos com outras terapias no artigo sobre quanto custa uma sessão de terapias holísticas.
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Perguntas frequentes
Não. Basta o tema em poucas frases. Muitos detalhes não são necessários e há quem prefira não os dar.
Num grupo, quem está presente assiste. Se preferes privacidade, uma sessão individual é a melhor opção. Bons grupos pedem confidencialidade a quem participa.
Sim. Muitos grupos aceitam participantes que vão como representantes, e é uma boa forma de conhecer o método.
Sim, sobretudo em sessão individual, com figuras ou papéis que o próprio cliente posiciona em casa.
Não. São uma prática complementar e não substituem acompanhamento psicológico ou médico.
Fontes
As terapias holísticas e integrativas complementam e não substituem o acompanhamento médico.




